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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, Homem, de 15 a 19 anos ICQ - 162678463
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Talvez eu esteja precisando de um aconselhamento.
Tenho vinte anos. Quando tinha dezessete, dezoito anos, estive muito envolvido com a obra de missões. Orava, contribuia, sentia um clamor no meu coração pelas almas perdidas. Mas isso se perdeu...
Hoje estou prestes a ingressar na faculdade de Direito, começo a cursar ano que vem. Já estou lendo os livros indicados para o primeiro período. Estou apaixonado por Direito.
Mas agora, logo agora, me vem uma coisa no coração... missões! Deus quer me dizer alguma coisa, preciso compreender... o que Ele quer de mim?
Me inquieto diante das palavras de Cristo: "Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo." ou "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me".
Sei que posso negar a mim mesmo e seguir a Cristo como um juiz ou procurador que pretendo ser. Mas temo. Será que o que desejo não é a glória do poder, das riquezas? Não sei. Não sou capaz de esquadrinhar nem meu próprio coração.
Sei que por uma coisa meu coração clama: preciso fazer algo por estas almas tristes que perambulam pelo nosso mundo pós-moderno. Quero amar!
Temo trilhar o caminho errado...
Escrito por Alysson Amorim às 19h34
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Fui ferido...
Temporal – o céu chora as lágrimas que são minhas. Que gosto tem estas lágrimas? Amargo gosto de decepção, de quem foi enganado, atingido por alguma coisa como a imaturidade. Não sei bem ao certo. Quando ferem a gente não nos importamos muito com que arma nos feriu. Na verdade, não entendemos nem como fomos feridos. Mas sentimos a dor, temos certeza que algo nos feriu. E é a ferida que dói, é com ela que nos importamos.
Sim, sou míope, sempre conheci muito bem minha miopia, e assim, tentei agir ciente de que existe um grau de erro em minha visão, alguma falha. Mas cego? Nunca imaginei que fosse cego. Via tudo em tons róseos, e por vezes, verdes. Tons róseos e verdes – mas era tudo cegueira. Quanta tolice, meu Deus... fui ferido em minha cegueira, nesta cegueira colorida da ilusão.
E como dói esta ferida meu Deus: é como se um pássaro fosse ferido em suas asas. É assim que me sinto – um pássaro de asas feridas, que está diante do céu infinito, mas não pode voar. Foi ferido.
O amor é dor quando não pode amar. Quando existe e não pode amar. O amor é um pássaro, que quando não pode voar, fica triste, quieto. Não come, não bebe, não canta – mas ama, continua amando – este amor é que é dor. Esta dor é que eu sinto...
Alysson Amorim
Escrito por Alysson Amorim às 21h55
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O tapeceiro
Uma obra de arte. É o objetivo da vida isto, sermos obras de arte. Somos, já dizia o profeta, como vasos nas mãos do oleiro. Matéria bruta nas mãos delicadas e ágeis do Grande Artista. O Artista que ama sua obra de arte, sua obra prima, e porque ama, se importa com seus defeitos, com suas rugas. Aplica então todo seu esmero para corrigir qualquer falha, por mínima que seja - e é este um processo doloroso, mas necessário. E no fim poderemos ver, numa visão panorâmica, que tudo cooperava de fato para o nosso bem. Confiemos! Estamos nas mãos do Grande Artista!
Transcrevo abaixo uma composição maravilhosa do grande Stênio Nogueira. Confortante!
O TAPECEIRO
Tapeceiro, grande artista, Vai fazendo seu trabalho… Incansável, paciente no seu tear…
Tapeceiro, não se engana… Sabe o fim desde o começo, Trança voltas, mil desvios sem perder o fio…
Minha vida é obra de tapeçaria, É tecida de cores alegres e vivas, Que fazem contraste no meio das cores Nubladas e tristes… Se você olha do avesso, Nem imagina o desfecho… No fim das contas, tudo se explica, Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem…
Quando se vê pelo lado certo, Muda-se logo a expressão do rosto, Obra de arte pra Honra e Glória do Tapeceiro… Quando se vê pelo lado certo, Todas as cores da minha vida Dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro…
Escrito por Alysson Amorim às 13h46
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O jogo
É cedo: o mundo abre seus olhos fatigados, ao toque nada musical do despertador, ao canto humilde do galo soberbo: é o reinício do jogo.
As ruas estão despertas, com as buzinas intolerantes da pressa, com os coletivos cheios de gente vazia: o tabuleiro é o mesmo, as regras são as mesmas.
O homem passa diante da flor bela e a ignora, passa diante da vitrine do shopping e suspira admirado, com aquilo que seu trabalho suado não pode comprar, com aquilo que tem um preço maior do que ele, mas o cartaz avisa: há as prestações.
Ah! as prestações, sim! as prestações, seu sonho tosco pode ser dividido em doze prestações, doze prestações e algum juro composto.
Então, sai pela rua, levando seu sonho tosco na sacola, e um sorriso bobo no rosto.
Enquanto isto, a flor se mantêm ali, intacta em sua beleza, a poesia permanece eternos instantes esquecida nas estantes.
E assim, o jogo permanece, no mesmo tabuleiro, com as mesmas regras.
Alysson Amorim
Escrito por Alysson Amorim às 13h27
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Alegria da eternidade!
Há que se pensar na imortalidade, ou tudo se torna insustentável. É preciso viver, ainda em matéria, além da matéria. Pobre, frágil matéria. Mas como a amamos, como tememos perdê-la, como choramos quando aquela matéria, que fazia parte de nossa vida, que nos beijava, nos abraçava, nos dizia doces palavras, como choramos quando ela se perde. Jesus chorou: era Lázaro, seu amigo, morto. Maria chorou, e não apenas a morte injusta de um homem justo, do Salvador da humanidade, chorou a morte de seu amado filho, aquela que outrora ela carregou nos braços, beijou, amou.
Henriqueta Lisboa está certa, na morte se perde pouco, mas geralmente perde-se o que mais amamos. Todavia, permanece "o espírito, mais livre que o corpo / a música, muito além do instrumento / da alavanca, sua razão de ser: o impulso". É preciso pensar na eternidade, viver eternidades, ou tudo se torna horrivelmente insustentável. Afinal, a alegria não pode se resumir a coisa tão efêmera, tão volátil, tão limitada, tão injusta - acessível a uns poucos.
É preciso existir uma alegria mais concreta, palpável, certa, justa, que dê razão a nossa existência, que preencha o vazio descomunal que incomoda nossos corações, frágeis e complexos. E esta alegria existe: está na eternidade. Mas meus amigos, meus inimigos, é preciso viver, ainda hoje, em matéria, essa eternidade. E para tal precisamos deixar em segundo plano essa alegria efêmera da matéria. Ah, coisa árdua isto! Concordo. Contudo, é necessário, é urgente vivermos, mesmo encerrados em matéria fútil, coberta de paixões, a alegria da eternidade.
Alysson Amorim
Escrito por Alysson Amorim às 15h12
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O sonho
Os olhos finitos absorvem o infinito do mar até não suportar mais tamanho encanto então, expelem lágrimas, salgadas – como a água do mar.
É o sonho, que de tão profundo, se torna realidade por um pequeno instante, desliza suavemente no rosto do sonhador e ganha seus lábios, num gosto salgado – como o do mar.
É mais do que isto, é um novo mar nascendo nos olhos do sonhador, que, como todos os mares, como todas as coisas, nasce de um sonho.
Alysson Amorim
Escrito por Alysson Amorim às 19h39
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Os anos são degraus
Os anos são degraus; a vida, a escada. Longa ou curta, só Deus pode medi-la. E a Porta, a grande Porta desejada, só Deus pode fechá-la, pode abri-la.
São vários os degraus: alguns sombrios, outros ao sol, na plena luz dos astros, com asas de anjos, harpas celestiais; alguns, quilhas e mastros nas mãos dos vendavais.
Mas tudo são degraus; tudo é fugir à humana condição. Degrau após degrau, tudo é lenta ascensão.
Senhor, como é possível a descrença, imaginar, sequer, que ao fim da estrada se encontre após esta ansiedade imensa uma porta fechada e nada mais?
Fernanda de Castro
Escrito por Alysson Amorim às 08h42
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Viridiana*
A quem amamos, a quem queremos salvar com nossa caridade? A nós mesmos? Será isto porventura, amor ao próximo? Não, isto é amor-próprio.
Eis a grande fraqueza do homem: não reconhecer sua fraqueza, e assim, querer resgatar a si próprio, algumas vezes através de um camuflado amor ao próximo, amor de Veridiana aos mendigos. Mas, como todo esforço do homem em se auto-resgatar, o da bela noviça, também encerrou em homérica decepção: Viridiana se entregou, lançou no fogo a coroa de espinhos – a qual nunca chegou a conhecer verdadeiramente, busca seu resgate agora através do sexo, das cartas.
“A fé sem obras é morta” nos disse Tiago em sua Epístola. Grande verdade. Porém, as obras sem a fé, sem a graça, são esforços vagos, vaidade, pura vaidade, como disse o poeta em Eclesiastes. Esforços fadados ao fracasso. É aí que grande parte das pessoas fracassam, é aí que Veridiana fracassou, em pensar que salvação do homem reside em seus braços.
" Escrevi baseado num filme que vi esta semana, Viridiana, de Luis Buñuel
Escrito por Alysson Amorim às 22h10
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Carta de uma mãe a um filho anencéfalo (sem cérebro)
Você nem pode imaginar quantas coisas mamãe tem ouvido das pessoas que têm cérebro. Outro dia mamãe ouviu uma pessoa dizer que matar uma criança assim (sem cérebro) não era aborto, pois esse feto já era um aborto da natureza. É, filho, as pessoas falam coisas absurdas, monstruosas. Parecem não usar o cérebro completo e perfeito que receberam de Deus. Outras defendem a idéia de que não haveria crime, caso praticassem um aborto cujo feto tivesse anencefalia, pois não haveria vida viável. Defendem essa teoria como se o ser que mexe, cujo coração bate dentro do útero materno já estivesse morto...
Meu filho, você não sabe do que são capazes de falar e fazer essas pessoas que têm cérebro, essas pessoas grandes. Alguns têm a coragem de dizer que o que matam é o nada, sem saber que o que existe e vive no ventre materno desde a concepção é um sujeito humano concreto, único e irrepetível... Não podia eu dizer que você era uma parte minha, pois desde a concepção você já existia com um código genético diferenciado, original em relação ao meu. Como podem algumas pessoas dispor do que não lhe pertence?
Sabe que outro dia mamãe leu em um jornal que se autorizava um aborto liminarmente, sendo que o feto tinha um problema igual ao seu, anencefalia, e que o que fundamentava essa decisão era que «não se podia impor à gestante o insuportável fardo de ao longo de meses prosseguir na gravidez já fadada ao insucesso». Você não acredita? Mas é verdade, estava escrito, chamavam um filho como se fosse fardo insuportável, parece não saber que filho nunca é fardo, muito menos insuportável. Parece não ter a menor idéia de quanto vocês são amados apesar dessa deficiência, ou melhor dizendo, malformação. E o quanto são importantes para nós mães de verdade cuja natureza intrínseca de mulher nos faz.
Todos estamos convidados a um posicionamento contra a implantação de tal crime entre nós, para o que seria necessário, inclusive, rasgar a Constituição Federal ou retirar de entre os dez, o quinto mandamento: “não matarás”!
Anônima (?)
Escrito por Alysson Amorim às 20h44
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Verde
"em esperança, creu contra a esperança..." Rm. 4.18
Você passeia pelos meus pensamentos, em meio ao cinza, que por vezes o encobre, você passeia livre, vestida de verde.
A flor, o sol, podem estar cinzas, tudo em cinzas, mas teu passeio para mim, é verde como a esperança.
Alysson Amorim
Escrito por Alysson Amorim às 20h03
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Chuva: as lágrimas do mundo
Os automóveis deslizam indiferentes na pista molhada quase não há pessoas na rua a chuva enclausura o homem no conforto de suas casas, nos cinemas, nas bibliotecas, nas igrejas, nos shoppings...
A chuva são as lágrimas de um mundo que sofre sofre tanto que lhe é impossível ocultar essa dor que encharca tantos os becos da favela quanto as largas avenidas.
O mundo chora copiosamente o homem finge não ver é mais fácil enclausurar-se em seus desejos neste mundo pequeno da felicidade pessoal.
Das sacadas das casas ouvem-se comentários: - São loucos estes que tentam secar a chuva com lenços. Deus, que eu seja um louco.
Alysson Amorim
Escrito por Alysson Amorim às 14h47
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Inocência
A inocência brinca na praça sente o perfume e a textura da primavera mergulha seu reflexo na fonte que jorra água a inocência corre na praça.
A inocência sorriu para mim sorriso de inefável pureza e eu sorri para ela.
Então, a inocência se lançou no chão e rolou, rolou, depois olhou, olhou para mim esperando que eu repetisse seu gesto singelo.
Não inocência, já tenho vinte anos, e neste mundo, nesta idade, existem placas: é proibido rolar no chão.
Todavia, sorrir eu posso, ainda não é proibido, e enquanto houverem inocências correndo nas praças tenho todas as razões do mundo para sorrir.
Alysson Amorim
Escrito por Alysson Amorim às 16h11
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A arte do sono
A política é uma arte. Rubem Alves a definiu como sendo a arte de transformar o sonho alheio em realidade. É uma definição interessante, entretanto, diríamos, recheada de alguma utopia.
Dou uma alternativa que, pelo menos no caso do Brasil, parece mais realista. Política: a arte de transformar o sono alheio em realidade. Afinal, há que se ter no mínimo, um bom sono. Falta sono nos colchões dos brasileiros, sobram preocupações e Diazepam. Na verdade, Diazepam nem sempre sobra - falta nos postos de saúde.
Se não se tem poder suficiente para realizar sonhos - poder este que os políticos esbanjam - é preciso, no mínimo, de força. Todavia, sem sono, até a força vai pro brejo, e com ela, evidentemente, todas as condições de converter sonhos em realidade. Sobram pesadelos, que contribuem para matar ainda mais o sono do povo, o que diminuí mais sua força... é isso mesmo, um horrendo círculo vicioso!
Não exijo que nossos políticos sejam artistas em realização de sonhos. Esta é uma arte demasiado complicada: deixo-a para Deus. Mas que sejam artistas que desenhem o sono do nosso povo.
A triste realidade: poucos são os políticos artistas que se esmeram em desenhar o sono alheio. A grande maioria, são também artistas, mas de um outro gênero, seus esforços consistem em pintar, num egoísmo abismal, sonhos próprios e altíssimos. É o velho ditado em prática: a felicidade de uns faz a infelicidade de outros.
Enquanto isto, continuamos, deitados eternamente em berço esplêndido, sem possuir nada: nem sono, nem coisas esplêndidas.
Alysson Amorim
Escrito por Alysson Amorim às 20h37
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Valentin*
Valentin: criança que, ainda criança, aprende que a vida não é um mar de rosas. Ou talvez seja: um mar de rosas com espinhos. Evidentemente, mais espinhos que rosas.
Criança de olhos tortos que sonhava. Queria fugir da gravidade. Desta terrível lei da gravidade, que nos aprisiona neste mar de rosas escassas e espinhos abundantes. Não lhe interessava ser médico, dentista, empresário, juiz. Queria a lua, ser astronauta.
Armstrong e Aldrin chegaram ao astro. "Isso é trapaça", revolta-se a criança.
Valentin sofre, a lua lhe é inacessível. Mas é esperto este menino, logo seca as lágrimas e encontra outra ocupação. Vai ser escritor.
Ah! Você ri do pobre Valentin? Sim, sim. Ria dele, ria muito. Ria, ria, diga-o com teu riso sarcástico o quanto o considera tolo. Diga-o que ser escritor nunca o fará estar isento da lei da gravidade, nunca corrigirá olhos tortos. Diga ao pobre Valentin este monte de verdades objetivas.
Pode dizer tudo. O menino já é escritor. Dê-lhe um lápis e uma pequena folha de papel e se surpreenda. Valentin alcançará a lua em dois versos...
Alysson Amorim
* escrevi este texto baseado num filme que vi no cinema: "Valentin", filme argentino indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Escrito por Alysson Amorim às 14h35
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Não quero mais ser evangélico
"Irmãos, uni-vos - Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas". Esse, o título da matéria, chocante, publicada pela revista Veja, de 9 de junho de 1999, anunciando formação do Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil.
Foi a gota d'água! Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo "evangélico" perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais, ser praticante e pregador do Evangelho (boas novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um seguimento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante - o seguimento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.
Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é, e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai, porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por profissionais da fé. Voltemos à consciência de que o caminho, a verdade e a vida é uma pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro; uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.
Chega dessa "diabose"! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar; voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.
Voltemos ao amor, à convicção de que, ser cristão, é amar a Deus acima de todas as coisas e, ao próximo, como a nós mesmos; voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam, em profundo amor e senso de dependência, quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome "meu", mas, o pronome "nosso".
Para que os títulos: pastor, reverendo, bispo, apóstolo, o que estes significam se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo. Para que o clericalismo? Voltemos ao sermos servos uns dos outros; aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei" de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!
Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao "ïnstruí-vos uns aos outros" (Cl 3. 16).
Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou ser uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus."(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras "todo o Evangelho ao homem... a todos os homens". Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que "acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos", sem adulterar a mensagem.
Chega dos herodianos que vivem a namorar o poder, a vender a si e as ovelhas ao sistema corrupto e corruptor; voltemos à escola dos profetas que denunciam a injustiça e apresentam modelos de vida comunitária. Chega do corporativismo, onde todo mundo sabe o que acontece, mas, ninguém faz nada; voltemos ao confronto, como o de Paulo a Pedro (Gl 2.11), que dá oportunidade ao arrependimento e aperfeiçoa, como "o ferro afia o ferro." (Pv 27.17)
Saiamos do "metodologismo". Voltemos a "ser como o vento, que sopra como quer, se ouve a sua voz mas não se sabe de onde vem e nem para onde vai" (Jo 3.8)
Não quero mais ser evangélico, como o é entendido, hoje, neste país. Quero ser só cristão. Um cristão integral, segundo a Reforma e os pais da Igreja. Adorando ao Pai, em espírito e verdade, comungando, em busca da prática da unidade do "novo homem", criado por Cristo à Sua imagem (Ef 2.15), e praticando a missão integral...
Ariovaldo Ramos
Escrito por Alysson Amorim às 21h10
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